17/01/2012 - -

Pará tem muito para mostrar sobre desenvolvimento rural, diz presidente da Emater em abertura de primeiro curso internacional

Na abertura do primeiro curso internacional promovido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), cuja solenidade aconteceu na tarde dessa segunda-feira (16), em Bragança, no nordeste paraense, a presidente do órgão, Cleide Amorim, deu boas-vindas aos 19 estrangeiros dos 16 países participantes e resumiu a proposta da Capacitação em Metodologias de Assistência Técnica e Extensão Rural (Training em Methodologies for Technical Assistance and Rural Extension) como uma oportunidade de apresentar o modelo governamental pelo qual cerca de 140 mil agricultores familiares têm conseguido produzir mais e melhor, com sustentabilidade e progresso coletivo.

 “A realidade evolutiva do setor rural no Pará tem mostrado iniciativas, programas e políticas que promovem igualdade social, agroecologia, bioenergia, novas tecnologias, capacitação e exercício da cidadania”, disse Amorim, em discurso.

A solenidade foi transmitida ao vivo pela Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) na internet, com acesso ao mundo inteiro, via Agência Pará (www.agenciapara.com.br). Além disso, teve tradução simultânea do português para o inglês, de uma cabine no auditório conectada a fones de ouvido individuais, portados pelos presentes.

Também compuseram a mesa do evento o diretor técnico da Emater, Humberto Reale, o responsável geral pela Capacitação, Paulo Lobato, que é coordenador técnico da Emater; o vice-prefeito de Bragança, José Américo Sarmento (representando o prefeito Edson Luiz de Oliveira), o diretor técnico da Secretaria de Estado de Agricultura – Sagri, Francisco Neto (representando o secretário Hildegardo Nunes) e o coordenador técnico do núcleo de Paragominas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Daniel Mangas.

A Capacitação é promovida em parceria com a Associação Brasileira das Entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), com a  Agência Brasileira de Cooperação (ABC),  vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), e com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ ONU). Os 19 alunos representam três continentes (América, Ásia e África) e são todos agentes públicos da área de extensão rural, graduados em ciências agrárias ou com carreiras afins. Eles foram selecionados por meio de análise curricular – o que considerou  desde experiência em campo até fluência em português ou inglês, já que as 80 aulas de horas, ministradas em português por especialistas da Emater, também têm tradução simultânea para o inglês.

Além da interação com a Unidade Didático-Agroecológica do Nordeste Paraense (UDB) da Emater, espaço de 100 hectares onde estão hospedados e onde acontecerá a maior parte das aulas, os participantes também visitarão propriedades particulares atendidas pela Empresa em Bragança e desfrutarão uma programação cultural, que inclui mostras de filmes a apresentações de Marujada e Orquestra de Rabecas. O curso encerrará em 27 de janeiro.

O guineense Manuel Carlos Cunté, técnico agrícola, comemora a sede no Brasil, que visita pela primeira vez: “Sempre tive muita simpatia por esta terra – e ainda mais pela Amazônia. É uma honra poder conhecer a realidade rural do Pará e todas as outras metodologias aplicadas na região. Sei que vou tanto aprender muito, como também ensinar o que fazemos em Guiné-Bissau [na costa ocidental da África]”.

 De acordo com ele, a principal dificuldade no seu país de origem é o beneficiamento dos produtos: “Temos um solo fértil, um clima bom. O mais nos falta é tecnologia. Quero poder dominar o que existe aqui para conseguir reproduzir lá, superando as diferenças e aproveitando as semelhanças”, acredita, enumerando as principais atividades dos seus conterrâneos campesinos: “Muito caju, banana, manga, arroz e milho”.

Já a moçambicana Maria Isabel Omar, bióloga, mestre em aquicultura e diretora do Instituto Nacional de Desenvolvimento da Aquacultura (Inaqua) de Moçambique, na costa oriental africana, conta que a demanda pela produção de alimentos, assim como no Brasil, é um dos caminhos da agricultura familiar do seu país, que sofreu uma guerra civil por 16 anos: “Somos uma nação se desenvolvendo  com velocidade – e o trabalho produtivo com a terra alimenta e sustenta nosso povo. Estou aqui para conhecer mais alternativas de extensão, práticas e ferramentas”, explica.