17/01/2012 - -

Diversidade de culturas enriquece aprendizado em curso internacional da Emater

Foto: Agência Pará

A tarde dessa segunda-feira (16) em Bragança, no nordeste do Pará, decorreu inusitada: enquanto um paquistanês desfrutava uma porção de creme de cupuaçu, um indonésio distribuía souvenires do seu país natal, uma moçambicana dava entrevista a uma emissora de televisão e um marroquino conversava em inglês com um uzbeque (nascido no Uzbequistão).

Todos no mesmo espaço – especificamente, a Unidade Didático-Agroecológica do Nordeste Paraense (UDB), onde a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) realiza, de ontem até 27 de janeiro, a Capacitação em Metodologias de Assistência Técnica e Extensão Rural, que reúne 19 estrangeiros de 16 países de três continentes (América, Ásia e África). A iniciativa tem parceria do Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU). 

Os participantes são todos agentes públicos da área de assistência técnica e extensão rural. Selecionados por meio de inscrição voluntária e análise de currículo, representam culturas, religiões, idades e geografias muito diferentes não só dos referenciais brasileiros, mas também entre si.

O curso acaba por se tornar, também, um espaço de convivência multicultural. Aqui há, por exemplo, compartilhando um cotidiano,  islâmicos, autoridades políticas femininas e cientistas renomados – todos sob o propósito de aprender e ensinar juntos, respeitando as diferenças”, diz a engenheira florestal da Emater Daniela Souza, que faz parte da coordenação do evento.

Ao longo dos corredores e gramados da UDB, no total 100 hectares que reúnem experimentos das principais atividades da agricultura familiar amazônica, os alunos do curso pouco a pouco vão interagindo uns com os outros, sob a facilitação dos extensionistas da Emater e a prática de dois idiomas preferenciais: português colonial e inglês.

Para o zootecnista Aaron Muchazivep, de 31 anos, que trabalha no Ministério da Agricultura do Zimbábue, na África, a ocasião é de troca de saberes: “Quero conhecer o que é feito na nossa área não só aqui no Brasil, mas também nos outros países presentes”, resume. Ele acaba citando alguns dos desafios da agricultura do seu país,  que se assemelham ao que o Pará e muitas outras nações participantes do curso ainda enfrentam: “Temos deficiência no desenvolvimento de pesquisas e aplicação de tecnologias. O escoamento da produção também é um problema”, aponta.

Já a veterinária Ana Lina Olende, 47, que atua no Ministério da Agricultura de Cabo-Verde, também na África, acredita que o contato com os demais estrangeiros e a temporada em Bragança contribuirão em nível considerável para o alcance de seus objetivos sobre o curso: “Conhecendo os representantes dos outros países, também pretendo apresentar Cabo-Verde e divulgar nossa história, com nossos desafios e nossos ganhos”, diz. Segundo ela, ainda, o treinamento técnico deverá lhe ser imediatamente útil na implementação corrente de uma política inovadora de inseminação artificial do gado leiteiro de Cabo-Verde.

Uma ótima oportunidade coletiva de os alunos do curso se integrarem aconteceu logo nesse primeiro dia de curso, justamente com a aplicação de uma metodologia de campo: o uso de teatro de fantoches para a universalização de linguagem e a melhora na assimilação de conteúdo.

Costumamos lançar mão do teatro de fantoches em processos de capacitação que envolvem agricultores de baixa escolaridade, às vezes até analfabetos. Nesse caso, a diversidade cultural e até lingüística se mostra um contexto adequado. O recurso também é lúdico: descontrai as pessoas e cria um clima de unidade e de amizade”, explica o pedagogo da Emater Mauro Ferreira.

Um a um, cada aluno foi chamado à frente do auditório da UDB por um fantoche tagarela e divertido, que, entre gracinhas e elogios, entabulava uma conversa pública, querendo conhecer do protagonista algumas informações pessoais, perguntando sobre o país de origem e pedindo detalhes do que pretendia com o curso.