24/02/2012 - Regional Conceição do Araguaia

Emater fomenta criação de pirarucu em cativeiro no sul do Pará

O piscicultor Jr. Queiroz e o técnico da Emater desenvolvedor do projeto, Tiago Catuxo

Neste sábado (25) será finalizada a segunda despesca de pirarucu criado em cativeiro, projeto desenvolvido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), no município de Conceição do Araguaia, sudeste do estado. Desta vez serão 14 toneladas – o dobro da primeira extração, realizada ano passado – retiradas de tanques escavados em propriedades de assentamento de dois agricultores familiares que viram na produção do pescado uma nova forma de renda.

O pirarucu, uma das espécies de peixe mais valiosas do Brasil, com importância comercial similar à do bacalhau, tem sido criado em cativeiro por agricultores de Conceição do Araguaia, no sul do Pará. A iniciativa tem o estímulo da Emater desde 2006. Os extensionistas, frente à quase extinção do pirarucu no rio Araguaia por conta da pesca predatória, vêm orientando tradicionais bovinocultores leiteiros sobre a possibilidade de diversificação das atividades dentro das propriedades, com a construção de viveiros escavados e açudes artificiais. A despesca anual é de cerca de 50 toneladas – 100% vendidos para a indústria dos estados de Tocantins e Mato Grosso cerca de R$ 10 o quilo.

Integrantes da Associação dos Aquicultores de Conceição do Araguaia (Aquicon), constituída com o apoio da Emater em 2008, os 10 piscicultores cultivam, além do pirarucu, também tambaqui, tambacu, piau, curimatã e surubim pintado.  Hoje, a piscicultura se tornou o carro-chefe econômico das famílias envolvidas - e o projeto da Emater até inspirou grandes produtores do município, que também passaram a criar pirarucu.

De acordo com o engenheiro de pesca Victor Tiago Catuxo, o idealizador do projeto, um dos gargalos da atividade ainda é o alto custo de produção, sobretudo por causa da necessidade de compra de alevinos e de ração industrial. Mesmo assim, existe mercado garantido, “o que falta é - por meio de políticas, crédito rural e acesso a tecnologias - qualificarmos e expandirmos esse mercado”, explica.

Segundo o presidente a Associação dos Aquicultores de Conceição do Araguaia (Asquicom), o agricultor Eliezer de Queiroz Junior, a organização e o coletivo foi o que fortaleceu a produção dos 65 piscicultores associados. Até a possibilidade da compra de carretas fechadas de ração, com 14 mil quilos faz o custo para a criação de peixe cair e, consequentemente, mais lucro ao produtor. “Com a criação do pirarucu eu estou conseguindo um lucro liquido que está variando de 30% a 50%. Eu deixei a bovinocultura e troquei pela piscicultura e não me arrependo”, revelou Junior Queiroz.

O atendimento da Emater aos piscicultores da região iniciou em 2008 e a Asquicom foi criada apenas em 2009, Junior Queiroz ressaltou que o trabalho da empresa foi primordial para a produção pesqueira, já que as orientações passadas pelos técnicos foi o que fez alavancar a atividade. “Antes da Emater eu iniciei a piscicultura por conta própria e tive um prejuízo de mais de 80%, meus peixes morreram quase tudo”, lembrou.

A Emater estima para ainda este ano o financiamento dos dez piscicultores pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), nas linhas Agricultura Familiar (AF) e Mais Alimentos, com crédito que pode chegar a R$ 120 mil por produtor.

Para o engenheiro de pesca, com o trabalho voltado para a criação do Pirarucu, espécie muito apreciada nos mercados do eixo Rio-São Paulo, considerado o bacalhau da Amazônia, é o que vai manter o município de Conceição do Araguaia no topo da lista como um dos maiores produtores deste tipo de pescado no país.

Catuxo ainda revela que na década de 90 o município era o maior exportador do Pirarucu, pescado nas águas do rio Araguaia, mas que atualmente é raro pescador conseguir fisgar essa espécie. “A pesca predatória pôs em extinção esse peixe, mas nós, técnicos da Emater, encontramos na piscicultura uma forma de oferecer para o mercado o pirarucu sem degradar o meio ambiente”, finaliza o engenheiro de pesca.

 

Texto e foto: Kenny Teixeira