03/04 - Regional Marajó

 

Emater em Oeiras do Pará ministra cursos de mandiocultura e manejo de açaizais

 

 

A equipe do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Oeiras do Pará, na Região Marajoara, durante as últimas três semanas de março, realizou um mutirão de serviços de assistência técnica e extensão rural nas comunidades Palmeira, Santa Ana e São Pedro, Santa Maria e São Sebastião, situadas ao longo do rio Pruanã, e na comunidade Mocajatuba e Boa Esperança, no rio Mocajatuba.

 

Durante as visitas nas comunidades, os técnicos aproveitaram para orientar aos ribeirinhos como manejar os açaizais nativos, os quais são poucos produtivos, no período de 11 a 24 de março. E de 11 a 16 de março, os produtores participaram de um curso de mandiocultura. As famílias também receberam orientações técnicas acerca das culturas: cacau; cupuaçu; limão; milho; essências florestais, como seringueira, andirobeira, virola, pará-pará, entre outras.

 

Segundo a engenheira agrônoma, Joisiani Pinto, que ministrou o curso, com o manejo de açaizais adequado, a partir de medidas básicas e de baixo custo, o extrativista pode dobrar a produtividade de cada árvore. “Com esta ação a Emater deu o primeiro passo para o manejo dos açaizais, para que assim a produção dos agricultores possa ser destinada para a capital Belém e outros estados, pois devido a baixa produtividade a produção se limita ao consumo próprio e local”, relatou.

Para aumentar a produtividade do açaí nativo em Oeiras do Pará, a equipe fez algumas demonstrações simples como roçagem, capina, raleamento, controle do perfilhamento e das touceiras, espaçamento entre touceiras, corte em bisel, enriquecimento com frutíferas, por exemplo. “Adotando essas medidas básicas de manejo o extrativista pode triplicar a produção do seu açaizal”, explicou a técnica.

 

Segundo a agricultora familiar Maria de Nazaré, da comunidade Boa Esperança, no rio Mocajatuba, quando seu pai plantava fazendo um simples espaçamento e consórcio com frutíferas tinha elevada produtividade, mas quando ela passou a plantar sem técnica nenhuma, houve redução. “Agora que eu vi os técnicos demonstrando, me recordei da época que seu pai plantava, e sei que posso praticá-las a partir de agora”, afirmou a produtora.

  

Já no curso de mandiocultura, ainda segundo a engenheira agrônoma, foi para orientar técnicas de manejo e tratos culturais. “A prática da agricultura local é de toco, o que resulta em uma produção reduzida e assim precisam migrar para outra área e repetir o mesmo processo”, explicou. Neste sentido, os técnicos orientaram a respeito do não uso do fogo, mas sim do plantio em cobertura morta consorciando com milho, arroz ou até o abacaxi, visando à diversificação da produção. “Queríamos oferecer ensinamentos de como aumentar a produtividade. Assim, alcançaremos outro patamar que os possibilitará até fornecer mandioca para a merenda escolar”, disse.

Durante a expedição técnica, os funcionários da Emater ainda buscaram o cadastramento de 240 famílias rurais para a emissão de Declarações de Aptidões ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), já visando o acesso ao crédito rural para plantio de mandioca e manejo de açaizais. “Ainda será trabalho nosso a emissão de 50 Cadastros Ambientais Rurais para os membros da Associação dos Produtores Rurais e Extrativistas de Santa Ana do Rio Pruanã (Apresap), beneficiários do Pará Rural. Além do mais, ainda contamos com a apoio da prefeitura de Oeiras, por meio das Secretárias de Agricultura e Meio Ambiente”, destacou a técnica.

 

     

 

 

 

Texto: Kenny Teixeira

Fotos: Yara Vieira