27/10/2011 - -

Orientação garante a qualidade do açaí desde a coleta do fruto.

Foto: Elcimar Neves

Além de orientar os produtores no plantio e manejo do açaí, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) irá intensificar as medidas de orientação pós-colheita do fruto na região das ilhas de Belém, Marajó e nos municípios do Baixo Tocantins, onde é produzido 80% do açaí consumido no Estado. A ação faz parte das medidas que serão adotadas em no máximo 90 dias pelo Governo paraense, por meio do Programa Estadual de Qualidade do Açaí, que visa garantir o fruto saudável para os consumidores, sem o risco de contaminação pelo inseto conhecido como “barbeiro”, causador do Mal de Chagas.

O diretor técnico da Emater, Humberto Reale, explica que a empresa já acompanha a produção do açaí naquelas localidades, prestando assistência técnica e de manejo para mais de 20 mil produtores. “A partir de agora, com a possível contaminação do fruto nos locais de processamento (batedores) e venda da capital, nós vamos criar uma cadeia de prevenção que começa desde o plantio, passando pela colheita e transporte do açaí até chegar ao produto final, que é o preparo nos pontos de venda na região metropolitana”, contou.

De acordo com Reale, o trabalho consistirá na orientação dos produtores, em parceira com outros órgãos estaduais e com as prefeituras dos municípios. Cuidados como a higienização, o acondicionamento e o transporte adequado do fruto e outras práticas agrícolas e de logística devem ser reforçados nessa atenção aos extrativistas. O diretor ressalta que cabe à Emater e aos órgãos do Estado garantir orientação aos produtores e colaborar com os municípios para a fiscalização dos pontos de venda, quando devem ser observadas as condições de preparo do fruto.

Programa - Humberto destaca que o Governo do Estado se adiantou e criou o Programa Estadual de Qualidade do Açaí, que irá efetivar políticas públicas para garantir a qualidade do fruto. O decreto nº 250 foi publicado no dia 14 de outubro no Diário Oficial e destaca a implantação de um grupo de trabalho, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), com a participação de diversos órgãos, como a Adepará, Emater, Sespa, Universidade Federal do Pará, Embrapa, Sebrae, além de federações de municípios. O plano deve ser efetivado em no máximo 90 dias depois da data da publicação, mas as ações de garantia da qualidade já iniciaram pela Emater.

Endemia – O programa de controle de qualidade do açaí é implementado durante o aparecimento de diversos casos de Mal de Chagas na Grande Belém. De acordo com dados da Sespa, já foram registrados 85 pacientes contaminados e 10 mortos por causa da doença transmitida pelo “barbeiro”. Em 2009, o Mal de Chagas teve seu auge no Pará, sendo classificado como epidemia: foram 240 casos.

Paralelo às medidas de garantia de qualidade do açaí - uma das formas pelas quais se acredita estar acontecendo a transmissão do Mal de Chagas na capital -, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde, vem criando mecanismos para evitar que o número de casos da doença aumente, como por exemplo a capacitação de profissionais de saúde para a orientação da população, de como se prevenir a contaminação – ingerindo açaí contaminado pelo “barbeiro”, ou sendo contagiado diretamente pelo vetor (inseto). Este ano já foram duas rodadas de treinamento dos profissionais que lidam com os pacientes nos ambulatórios do Hospital Barros Barreto.

Fonte: Thiago Melo - Secom