27/10/2011 - -

Mulheres artesãs debatem organização da produção

Cerca de 100 mulheres trabalhadoras rurais do Território da Cidadania Nordeste Paraense se reuniram para o “Encontro de Socialização e Planejamento das Ações Coletivas: diagnóstico da produção das mulheres com ênfase no artesanato”,que aconteceu de 17 a 19 de outubro, no Seminário da Mãe da Divina Providência, em Benevides, promovido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater).

O objetivo geral do evento foi fortalecer e apoiar a organização produtiva de mulheres trabalhadoras rurais, com ênfase no artesanato, através de um encontro para a sociabilização e planejamento das ações coletivas com enfoque nas atividades produtivas de gestão, comercialização e acesso as políticas públicas. As artesãs tiveram a oportunidade de expor as opiniões sobre as atividades e capacitações que já foram realizadas, sinalizando melhorias na atividade artesanal.

A iniciativa advém de um projeto de atividade, proposto pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) por meio de chamada pública, para o desenvolvimento de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) para populações tradicionais e reservas extrativistas.

Para Adda Ellen, coordenadora do encontro, faz parte do trabalho da empresa contribuir para a valorização e o protagonismo destas trabalhadoras rurais, trabalhando “questões como a equidade de gênero, geração, raça e etnia partindo de pressupostos de democratização do acesso às políticas públicas, bem como a participação de todos os atores sociais que vivenciam a realidade do meio rural”.

Durante o evento, músicas e um vídeo serviram para contextualização da vida rural. Segundo Agatha Christie, pedagoga da Emater, que sistematizou o evento, “Teve também exibição de vídeos, dentre eles, “Vida Maria”, do cineasta Márcio Ramos, que vislumbrava a vida de uma ‘Maria’ dentre outras ‘Marias’ existentes em diversos contextos, neste caso, o da vida rural, o que as sensibilizou muito”, comentou.

Melhorias

Na programação, no dia 18, foram apresentados os resultados sistematizados dos diagnósticos das Unidades de Produção Familiares dos municípios de Bujaru, Concórdia do Pará e Tomé-açu; São Miguel do Guamá, São Domingos do Capim, Capitão Poço e Garrafão do Norte; Ourém, Santa Luzia do Pará e Cachoeira do Piriá; correspondentes aos regionais de Castanhal, São Miguel do Guamá e Capanema, respectivamente.

Já no dia 19, as participantes fizeram o planejamento das ações coletivas para a realização das oficinas de capacitação sobre a cadeia produtiva do artesanato, como: gênero, trabalho domestico, políticas publicas, viabilidade econômica, diversificação da produção e plano de negócios.

A agricultora do município de Concórdia do Pará, Maria Jaciara, relatou as dificuldades no processo de gerenciamento da produção artesanal. “Para nós, mulheres, não é fácil quebrar barreiras. Nós precisamos avançar, através de capacitação, e nos valorizar no mercado, dar o preço referente ao produto, e não perguntar. Nós precisamos tomar o poder de gerenciar nosso trabalho,” disse.