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Projeto Cultivando Flores e Vida capacita ex-detentos para trabalho com floricultura


Foto: Rodolfo Oliveira

Na I Mostra das Ações de Reinserção Social do Pará – Ciclos, realizada de 16 a 18 de dezembro na  Estação das Docas, em Belém, um dos destaques foi uma parceria entre Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), Casa Civil, Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) e Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa) que tem promovido reinclusão social de vinte e cinco egressos e albergados do sistema penitenciário, por meio de qualificação de mão-de-obra para o cultivo de plantas ornamentais.

O termo de cooperação oficializador do projeto Cultivando Flores e Vida foi assinado pelas instituições na aula inaugural do curso, 5 de dezembro, no auditório da Ceasa, em Belém. O primeiro módulo, sobre cidadania e postura profissional, encerrou na sexta-feira (16). A capacitação segue nos próximos 11 meses, compreendendo ao todo quatro módulos teóricos e práticos, que incluem ainda aprendizado sobre manejo, empreendedorismo, paisagismo, associativismo e contabilidade.  Uma segunda turma, com mais 25 alunos, iniciará ano que vem.

De acordo com a presidente da Emater, Cleide Amorim, a iniciativa é diferenciada no sentido de promover oportunidade real de trabalho e renda. “Fundamental no processo de regeneração é receber apoio, inclusive governamental, para se estabelecer em um emprego, para deslanchar numa carreira. Alguém que consiga seu sustento de forma respeitada e segura tem muito menos chances de reincidir no crime”, acredita.

Todos os participantes do Cultivando se inscreveram voluntariamente. São homens e mulheres de 23 a 27 anos, com baixa escolaridade e nenhum conhecimento profissional especializado.

“O Projeto não se restringe a ensinar um ofício, vai além, funciona com uma rede de serviços: visa a sensibilizar para as vantagens de uma vida sem crime, proporcionando suporte emocional e ferramentas que facilitem começar um negócio próprio, como informações sobre crédito, organização social e prospecção de novos mercados”, esclarece a administradora da Emater, Sandra Filgueiras, uma das responsáveis pelo Cultivando.   

O engenheiro agrônomo da Emater Guilherme Saldanha, que também faz parte da coordenação, ressalta que a floricultura é um mercado promissor, sobretudo no que tange a espécies regionais. “O objetivo do Cultivando é que esses ex-detentos se interessem pela atividade e desfrutem condições sociais e técnicas de desenvolvê-la”, diz.

Segundo ele, a floricultura, bem empreendida, pode se tornar uma ótima fonte de renda: “Na região metropolitana de Belém principalmente, há poucos produtores de flores, em especial de tropicais, as quais hoje vêm despontando na ornamentação de eventos. Existe, assim, um déficit de fornecedores e uma sobra de compradores.  Alguns arranjos, por exemplo, podem ser vendidos por mais de R$ 100 reais”, indica.

No próximo 9 de janeiro, a propósito, a Emater levará a turma para uma excursão por pontos turísticos da capital, apresentando as execuções de jardinagem e paisagismo que embelezam os locais e provocando a inspiração dos floricultores em formação.

Texto: Aline Miranda - 20/12/2011