Pronaf Floresta

Na manhã de quarta-feira (3), oitenta e sete seringueiros de Anajás, no arquipélago do Marajó, assinaram contrato de crédito rural com o Banco da Amazônia pela linha Floresta do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), sob o intermédio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). Cada família receberá mais de R$ 9 mil para investir na extração de borracha e no manejo de açaizais. O valor total do recurso é de mais de R$ 850 mil.

“O Pronaf Floresta é um crédito digamos que especial, porque tem foco declarado no desenvolvimento sustentável. É uma das ferramentas governamentais para a conscientização e preservação, permitindo ao produtor rural equilibrar atividades lucrativas com respeito ecológico”, diz o sociólogo da Emater Alcir Borges.

A extração de seringa é uma atividade tradicional entre os agricultores familiares do município. Entretanto, nas últimas décadas sofrera um revés grande, porque certa borracha comercializada na região fora processada com má qualidade, “como se ‘batizada’, misturada com madeira, entre outras forjações”, explica o seringueiro Manoel Reis, presidente da Associação Rural Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que reúne 205 produtores.

Segundo ele, a má-fé de alguns prejudicou a reputação da produção de todos. Com o mercado inseguro, os seringueiros passaram a ter dificuldade para vender a produção.

A situação se transformou quando, há aproximadamente três anos, com o apoio da Emater, os produtores conseguiram negociar com a fabricante de pneus Michelin, que se comprometeu a comprar toda a produção de “borracha coalhada” – estágio em que a seiva já começa a fermentar. São cerca de duas toneladas por mês.

Os seringueiros também trabalham com açaí – tanto para fabricação do suco, quanto para retirada de palmito.

A proposta da Emater é que as áreas das espécies nativas em Anajás, a partir de manejo, possam representar a conciliação entre agroextrativismo e recuperação ambiental.

 “A atuação da Emater não é assistencialista, mas facilitadora: ajudamos as organizações sociais dos agricultores a se aproximar e a firmar parceria com o governo e com os mercados, bem como a se conscientizar acerca da importância de sistemas produtivos que tragam qualidade de vida e cidadania às famílias, ao mesmo tempo em que permitam a continuidade dos recursos naturais”, explica o supervisor regional da Emater no Marajó, engenheiro agrônomo Marinaldo Gemaque.

Texto: Assessoria de Comunicação - 05/08/2011