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Emater reúne agricultores do Marajó para planejar trabalho com aquicultura

 

      Desde essa quinta-feira (18) até hoje (19), técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) estão reunidos em Portel, no Marajó, com oitenta lideranças comunitárias de agricultores familiares de mais três municípios da região (Bagre, Melgaço e Gurupá) para discutir um plano de ação para o cumprimento das metas previstas no contrato do segundo lote da chamada pública nº 122 do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O Encontro de Planejamento Participativo da Chamada Pública de Aquicultura no Marajó também tem a presença de secretários municipais de agricultura e agentes de prefeituras.

      O edital, vencido pela Emater no fim do ano passado e dividido em três lotes, estabelece iniciativas de desenvolvimento da cadeia de aquicultura no arquipélago. O contrato geral ultrapassa R$ 3 milhões.

      Esse segundo lote tem como beneficiárias 800 famílias – 200 de cada município -, e representa um investimento governamental de R$ 950 mil.  São agricultores tradicionais que vivem da pesca artesanal, do plantio de mandioca e do extrativismo de açaí.

      O engenheiro de pesca da Emater Cássio Flexa, gerente do projeto da referida chamada pública, aponta que “em geral são famílias que produzem para subsistência, comercializando apenas o excedente”. De acordo com ele, a aquicultura no Marajó é uma atividade com imenso potencial, dados inclusive os recursos naturais, mas com prática atual “ínfima”: “Os produtores até criam peixe ou capturam camarões e manejam em tanques escavados ou gaiolas, mas faltam tecnologia e crédito rural, para estruturar e impulsionar a cadeia produtiva”, completa.

      A etapa do planejamento participativo foi precedida pela realização, de março a maio deste ano, de um diagnóstico socioeconômico e georreferencial dos produtores e da produção nos quatro municípios, com extensionistas visitando as propriedades e aplicando metodologias específicas de pesquisa. O documento, que está sendo sistematizado, embasará as estratégias do trabalho da Emater, que pela vigência do contrato deverá durar, de tal modo direcionado, pelo menos por um ano – com renovação possível por mais quatro.

      “A desenvoltura da Emater no Marajó demanda uma logística diferenciada, pela própria geografia, recortada por rios e isoladora das comunidades, e pela situação social e cultural das famílias, que têm renda baixa e tampouco estão inseridas numa mentalidade digamos que comercial”, teoriza o sociólogo da Emater Alcir Borges.

Texto: Assessoria de Comunicação - 19/08/2011