Regional de Marabá

 

Dia de Campo sobre alface hidropônica incentiva horticultura no sudeste do Pará

Nesta quinta-feira (13), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) promoverá em Jacundá, num esforço conjunto do escritório local e do escritório regional de Marabá, o primeiro Dia de Campo sobre alface hidropônica do sudeste do estado. O objetivo do evento é, por meio de um projeto específico da Emater, incentivar a atividade, mostrando a viabilidade de construção, manutenção e rendimento.

Assim, cerca de 120 pessoas, entre agricultores de Jacundá e de mais oito municípios da região e técnicos de entidades parceiras, conhecerão, das 8h30 às 12h, a estufa instalada em junho deste ano na propriedade da família Bardini, na zona periurbana: em um espaço de 143 m², o casal Antônio e Gercilene cultiva cinco mil pés de alface, com colheita diária de cerca de 90 maços, em sistema escalonado.

Por mês, são comercializadas 2 mil e 800 alfaces, sobretudo por meio de acordos informais com “bacieiras” (uma espécie de revendedoras individuais), gerando um lucro de mais de R$ 2 mil.

A estrutura tem cobertura e sombrite de filme-plástico, canaletas de prolipropileno e bombeamento automático. O projeto, superior a R$ 33 mil, foi financiado pela linha Mais Alimentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com o intermédio do Banco da Amazônia. No Dia de Campo, uma proposta de investimento em uma nova estufa, maior e mais completa, avaliada em R$ 70 mil, será apresentada ao mesmo agente financeiro.

“A idéia é que a família Bardini aos poucos vá aumentando a capacidade de produção, de modo a ter condições de assumir contratos mais sólidos, como os da merenda escolar”, aponta o chefe do escritório da Emater em Jacundá, o engenheiro agrônomo José Luís Lopes.

Tradicionalmente pecuarista, a agricultura familiar do sudeste do Pará pode encontrar na horticultura hidropônica uma ótima alternativa de complemento de renda e de segurança alimentar: “A demanda é muito maior do que a oferta. Qualquer um que produzir rúcula, por exemplo, vai ter lucro praticamente imediato – que, na atividade, costuma ser de até 80%. A Emater faz questão de despertar esse interesse”, diz Lopes.  

No caso, segundo ele, a hidroponia, além de garantir quantidade e qualidade do produto final e de preencher um mercado por ora deficiente, também oferece ao produtor maior conforto na lida com a lavoura, em comparação com o sistema convencional, de plantio no chão: “Temos aí uma grande vantagem de ergonometria, porque, com as caneletas em uma altura em média de 1 metro e 20 cm, o produtor trabalha ereto, sem prejudicar a coluna. Quando planta no chão, o produtor fica se curvando”, explica.

 

Texto: Aline Miranda - 12/12/2012