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Curso de Boas Práticas de Fabricação capacita Emater para apoio a agroindústrias do sul do Pará

 

Quinze técnicos do escritório regional de Conceição do Araguaia da  Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) participam, naquele município-sede, no sul do Pará, desde segunda (24) até esta quinta-feira (27), de um curso sobre boas práticas de fabricação de alimentos (bpf) em agroindústrias familiares.

A capacitação, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário ( MDA) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), objetiva formar multiplicadores do conhecimento acerca dos padrões sanitário, estrutural e operacional exigidos por lei para o beneficiamento dos produtos dos agricultores familiares.

A turma, de 35 alunos no total, também se compõe de estudantes da Escola Familiar Rural (EFR) e de funcionários do Banco do Brasil (BB), Banco da Amazônia (Basa), Instituto Federal do Pará (IFPA), Universidade do Estado do Pará (Uepa), Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) e da vigilância sanitária municipal, entre outras instituições parceiras. Uma das abordagens, considerada a vocação produtiva da região, é o beneficiamento dos produtos da pecuária leiteira, sobretudo queijo.

“Para os profissionais envolvidos no segmento, que vão desde os prestadores de assistência técnica até representantes dos bancos liberadores de crédito rural, passando inclusive pelos arquitetos e engenheiros que constroem as agroindústrias e pelos acadêmicos das instituições de ensino, a oportunidade é de reciclagem e de sensibilização quanto à necessidade de que todos devem estar informados, porque a responsabilidade pelo sucesso do empreendimento e pela qualidade do alimento final não é só da comunidade produtora, mas plural, das esferas completas”, resume o responsável pela capacitação, o zootecnista da Embrapa Fénelon do Nascimento Neto.

Além de intensificar esclarecimentos sobre as legislações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o curso detalha as especificações recomendadas para instalações, operações, transporte e armazenamento. A capacitação também orienta sobre a elaboração do Manual de Boas Práticas de Fabricação, que deve partir dos próprios produtores, mas pode ser subsidiada, por exemplo, por técnicos da Emater. O documento, obrigatório para o funcionamento de qualquer agroindústria, descreve as atividades de cada lugar e anexa procedimentos operacionais-padrão, contextualizados nas leis vigentes.

“O Manual é basicamente uma radiografia da indústria”, explica Nascimento.

Com o curso, completa ele, a linguagem entre os atores do processo geral se uniformiza, facilitando a aplicação de políticas públicas, a eficiência da fiscalização, a profissionalização da agricultura familiar e a qualificação dos mercados.

“As boas práticas de fabricação são um conhecimento organizado muito recentemente, com o despertar lá pela década de 90. É importante, então, fortalecermos essa reciclagem intelectual e inserirmos esse nível de discussão no ambiente educacional, para que componha a grade curricular das institucionais, e na negociação de crédito rural, tornando possível para os gerentes dos bancos, por exemplo, reconhecer a viabilidade do financiamento e a qualidade dos equipamentos de compra sugerida nos contratos, entre outras questões”, diz.

O mesmo curso já foi ministrado para técnicos da Emater e de instituições parceiras nas regiões de Santarém e Marabá.

Paralelas às aulas, acontecem também palestras, abertas ao público: uma sobre Consumo Consciente de Alimentos, voltada para jovens, foi ministrada por Nascimento na noite de quarta-feira (26). A outra, sobre Manipulação de Alimentos, tendo à frente o especialista da Embrapa Antônio Farias, se realizará às 19h30 desta quinta-feira (27) e tem foco nas pessoas que trabalham diretamente com alimentos, como merendeiras e vendedores de churrasquinho.

Sul do Pará

Em Conceição do Araguaia, a primeira agroindústria familiar legalizada foi inaugurada no final de julho deste ano, com o apoio da Emater: sob o nome fantasia de Queijos Maely, a empresa do assentado Neurimar Bezerra produz, por dia, cerca de 120 kg de muçarela e mais de mil litros de leite.

De acordo com o supervisor regional da Emater em Conceição, Luiz Flávio Cavalcanti, existem outras duas agroindústrias de derivados do leite em processo de legalização. “No entanto, sabemos que o beneficiamento já acontece de qualquer jeito. O trabalho da Emater e dos nossos parceiros é justamente estruturar esse beneficiamento, dando condições aos agricultores de seguir a lei e produzir um alimento saudável e seguro para o consumidor”, adianta.

Texto: Aline Miranda - 27/10/2011