Atendimento da Emater transforma realidade de agricultores de Tucuruí

emissão de cafs documenta acesso a políticas públicas rurais

03/11/2026 11h36 - Atualizada em 03/11/2026 14h44
Por Aline Miranda

Há quatro anos, o então caminhoneiro Edney Almeida, hoje com 49 anos, resolveu trocar de vez a vida na estrada pela lida no Sítio Vale do Tocantins, no assentamento federal Terra Viva, em Tucuruí, no sudeste do Pará. A principal motivação foi o nascimento da caçula: Ísis Maya. 

“Eu queria estar o máximo perto e acompanhar tudo da pequena. Minha esposa já trabalhava no campo: só faltava eu lá dentro do lote”, conta.

 Junto com a esposa, Maria Helena Souza, de 45 anos, e atendido de forma direta pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), o agora agricultor cria peixe, porco e galinha-caipira e planta banana, laranja, macaxeira, tangerina e urucum. 

Os produtos são consumidos em casa e também comercializados diversificadamente: um dos compradores, via chamada pública do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), é o Exército Brasileiro, instituição na qual o primogênito do casal, Guilherme Almeida, de 19 anos, presta serviço militar como soldado.  

“O curioso é que a gente fornece um alimento que acaba, no fim da contas, alimentando nosso próprio filho. É uma cadeia de produção útil, eficaz e social que se completa. Em nisto tudo a Emater é uma força danada pra gente, um imenso suporte. Com o caf [cadastro nacional da agricultura familiar], em especial, são muitas portas que se abrem: de tecnologia, de mercado, de crédito”, conta. 

Sobre crédito rural, a família já se prepara para o terceiro contrato, com encaminhamento da Emater: o primeiro foi com o Banco do Estado do Pará (Banpará) e o vigente é com a Caixa Econômica Federal (CEF). A expectativa é que o que se encontra em fase de prospecção alcance R$ 20 mil - dinheiro a ser investido na expansão da suinocultura.

CAFs

De janeiro a setembro deste ano, a Emater em Tucuruí já emitiu ou atualizou 142 cafs - entre individuais e jurídicos. 

De acordo com o chefe do escritório local da Emater em Tucuruí, Jurandir Trindade, técnico em aquicultura, a atuação presencial da Emater concretiza e humaniza as políticas públicas para a agricultura familiar: “O caf é a ferramenta-base de acesso às políticas públicas e por isso representa a prática da inclusão socioprodutiva. Como documento, é um ‘papel’ que tira as políticas públicas do papel.  A Emater é um agente de transformação da realidade das comunidades, porque efetivamos in loco muitos dos direitos de assentados da reforma agrária, extrativistas, pescadores artesanais, indígenas, quilombolas, contornando desafios como distância e alto custo e muito tempo de deslocamento. Um dos exemplos é a facilitação para as populações ribeirinhas do Lago de Tucuruí”, relata.