Mais de 60 extrativistas de açaí de duas comunidades de Afuá, no Marajó, foram capacitados em uma oficina de “Manejo de Açaizal Nativo e de Mínimo Impacto”. Um dos principais objetivos da capacitação é de transformação social na realidade de famílias que antes dependiam predominantemente da exploração de palmito e madeira na região.
Participaram da oficina extrativistas da Comunidade Araraman, localizada no Rio Araraman e da Comunidade São Tomé, no Rio Lipo. A iniciativa também contou com a participação de assentados da Reforma Agrária dos Assentamentos de Projetos de Assentamento Agroextrativista (PAE) Ilha Araraman I e Ilha Charapucu, além de agricultores de áreas fundiárias.
Para Rosiel Lima, extrativista de açaí de Afuá, as oficinas são fundamentais porque promovem o aumento da produtividade com sustentabilidade e, ao mesmo tempo, aumentam a renda familiar sem causar grande impacto no meio ambiente.
“A oficina também capacita o produtor com técnicas de mínimo impacto, garantindo a qualidade do fruto e a segurança na coleta, pois ajuda a melhorar a produção através dos conhecimentos técnicos passados pelo engenheiro da Emater, tanto na teoria quanto na prática. Sendo assim, o extrativista vai estar contribuindo com o ecossistema e também melhorando a sua produtividade e qualidade de vida", disse.
Conforme ele, a atuação da Emater-Pará na região agrega conhecimentos que capacitam o extrativista a estar fazendo o seu manejo de maneira correta e sustentável. “A Emater tem muita importância para as nossas comunidades porque ela oferta assistência técnica aos extrativistas, como curso de manejo sustentável, que pode aumentar a nossa produtividade em até 50%. E também auxilia nas emissões do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), assim como capacita os agricultores ou extrativistas a trabalharem com segurança”, explicou.
A iniciativa foi uma parceria entre o Governo do Pará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-Pará), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Cooperativa Ouro Verde, de Afuá e Cooperativa Bio+ Açaí, do estado do Amapá.
Para o Chefe do Escritório Local de Afuá, o engenheiro agrônomo, Alfredo Rosas, a Emater já atende as comunidades extrativistas há cerca de 17 anos e muitas vidas passaram a ser transformadas com as atividades realizadas dentro do campo.
“São comunidades atendidas há bastante tempo, desde 2009 e desde então conseguimos mudar a realidade da maioria das famílias. Muitos viviam somente da extração do palmito e madeira, mas sendo capacitados com manejo de açaí, podem ampliar as atividades e fontes de renda”, disse.
De acordo com ele, a parceria envolvendo Governo do Pará, Embrapa e as cooperativas tem sido muito importante para o principal beneficiado de iniciativas como essa: o agricultor familiar. Conforme o chefe local, cada área usada nas capacitações servem como uma espécie de vitrine de observação para exemplo de uso sustentável para outras comunidades.
“A Cooperativa Bio+ Açaí e Ouro Verde são grandes parceiras nossas para poder levar essas oficinas. Nós temos a capacitação da Embrapa desde 2006 também. Então, em cada oficina, nós delimitamos uma área de 50 metros por 50 metros, dividimos em quatro quadrantes, fazemos inventário florestal, todo o processo de manejo. Deixamos aqueles 50m x 50m manejado, que vai servir como uma vitrine, para as pessoas das comunidades possam ver como é que é feito o processo de manejo e serve como uma unidade de observação”, explicou.
27/03/2026 14h10 - Atualizada em 27/03/2026 16h41 Por