projeto de assentamento estadual foi titulado pelo Iterpa na COP-30
27/01/2026 12h29 - Atualizada em 03/02/2026 17h23 Por Aline Miranda
Em Almeirim, no Baixo Amazonas, ao longo de janeiro e fevereiro, pelo menos 45 famílias que vivem da coleta de castanha-do-pará no projeto estadual do assentamento agroextrativista (peax) Floresta Viva estão sendo documentadas pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) para receber crédito rural.
Os cadastros nacionais da agricultura familiar (cafs) nas comunidades Repartimento dos Pilões e Vila Nova habilitam para contratos individuais de até mais de R$ 50 mil, das linhas A e Floresta do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ante agentes financeiros como Banco da Amazônia (Basa), Banco do Brasil (BB) e Banco do Estado do Pará (Banpará).
Com os recursos da política pública, os extrativistas podem diminuir a dependência de atravessadores, com os quais mantêm negociação desvantajosa, historicamente, no modelo de “aviamento”: sem renda de custeio, os extrativistas aceitam pagamento antecipado do produto, a fim de cobrir despesas operacionais, o que afeta de forma significativa a margem de lucro.
“A dinâmica de trabalho é a seguinte: existem as áreas gerais, que chamamos de ‘castanhais de avanço’, porque ficam próximas das vilas, e existem os lotes familiares, pra dentro da mata: a caminhada é de três horas em trilha. Pra ‘acampar’ por 15 dias, às vezes um mês direto, meses, é preciso ‘rancho’ [estoque de alimentação], por exemplo, então são gastos prévios. Com o crédito rural, o extrativista tem a oportunidade de patrocinar por si próprio e melhorar seu escopo de comercialização, além de aplicar na limpeza do lugar de coleta e no escoamento”, explica o chefe do escritório local da Emater em Almeirim, o técnico em agropecuária Elinaldo Silva.
Outras atividades com potencial de reestruturação e expansão ali são o cultivo de açaí e de cacau.
O Gestor destaca a parceria com a Prefeitura: “O resultado vem com a somatória de esforços. A Prefeitura incrementou nossa equipe com a cessão de um técnico em agropecuária, Cleiton Silva, por um termo de cooperação técnica. A Emater junto com a Prefeitura acompanha todas as etapas das cadeias produtivas, em um aspecto socioeconômico e cultural, e no respeito ao protagonismo das organizações sociais dos próprios assentados. Também estamos consolidando mais aproximação com o Ideflor [Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade]”, diz.
Floresta Viva
A intensificação do atendimento da Emater no Floresta Viva é um avanço do incentivo do Governo do Pará ao território, cuja titulação coletiva do Instituto de Terras do Pará (Iterpa) foi entregue pelo governador Helder Barbalho à Associação dos Mini e Pequenos Produtores Rurais Extrativistas da Comunidade do Repartimento dos Pilões (Asmipps) durante a programação oficial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30), em novembro de 2025, na capital Belém.
Para a presidente da Asmipps, Dilva Maria Araújo, de 50 anos, a atuação da Emater é importante: “Estamos superfelizes com a presença da ater [assistência técnica e extensão rural] pública. São etapas conquistadas. O caf abre o acesso às políticas públicas e fortalece dignidade, trabalho, renda. Nosso objetivo é inspirar as novas gerações, agregar valor aos produtos da floresta, consagrar a biodiversidade e continuar o reconhecimento da nossa integração ser humano-natureza”, aponta a Liderança, indicando a instalação de um viveiro comunitário, para multiplicação de mudas, como uma das metas imediatas de movimentação integrada de governo e Associação.
Com o caf, ainda, as famílias podem se tornar beneficiárias do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), o Minha Casa, Minha Vida Rural (MCMVR), por meio da Caixa Econômica Federal (CEF), e participar de mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), via Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Ministério da Educação (MEC), em respectivo, com o apoio da Prefeitura.